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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Fim de Caso - 5


Dois dias depois, Heitor liga para Afonso:

- Oi! – Fala Heitor inseguro.

- Oi! – Responde Afonso guturalmente.

- Como é que você está?

- Péssimo e você?

- Não estou bem... Embora a separação tenha sido proposta por mim, não é nada fácil lidar com essa situação.

- Sabe o que me deixa mais puto?

- Não.

- Você me traiu.

- Coisa nenhuma.

- Me traiu, sim.

- Afonso, eu jamais te trairia...

- Entenda bem, sacana, que não me refiro ao fato de trair com outra pessoa. Deixe-me concluir! Cara, desde o inicio da relação, a gente tinha combinado que se algum dia a gente fosse se separar, que a coisa seria bem conversada, bem elaborada, a gente moraria um tempo na mesma casa, amiguinhos mesmo, e aos poucos, a gente ia se largando, sem choque, sem tanta dor, de leve... O que eu percebi agora é que você foi se separando de mim e não teve a dignidade de me comunicar, percebe? Caí de pára-quedas, Heitor. A única coisa que não está ok nessa historia, além é claro de eu não mais te ter ao meu lado, é o fato de nosso corte ter sido completamente oposto daquilo que um dia combinamos. Foi brutal, velho! A gente transa deliciosamente numa noite e no dia seguinte você não mora mais aqui!

- Sinto muito – fala Heitor chorando – Eu não fui decente.

- Não foi mesmo. É tão horrível olhar para os cantos dessa casa onde sempre estávamos nós dois e agora não ver mais você... Me ver sozinho... Onde você está?

- Num flat. Estou procurando um apartamento.

- Não tinha necessidade nenhuma disso. Quando penso nas coisas que você me disse, me sinto um monstro e quando penso na forma como você está saindo da minha vida, ratifico a ideia monstruosa a meu respeito.

- Pare de se vitimar. Esse papel não lhe cai bem.

- Eu não sou tão bom ator para estar destroçado por dentro e poder bancar o cara que foi largado pelo companheiro e está maduramente encarando o fora.

- Perdão. Estou desequilibrado.

- Tá chorando?

- Tô... Posso ir aí?

- ...

- Afonso, você quer que eu vá?

- ...

- Afonso, se você quiser que eu vá, saio daqui agora.

- Melhor não, meu amor. Eu me conheço. Se você vier, isso não vai terminar nada bem. Vou curtir meu luto. Curta o seu. Somos viciados um no outro e não mais nos suportamos juntos. Qualquer proximidade entre nós nesse momento pode ser desastrosa. Um lado meu está ardendo de vontade de te ver de novo, de me entregar para você de corpo e alma... O outro diz que se eu fizer isso estarei me traindo. Por mais que eu te ame, Heitor, estou em primeiro lugar. Até um dia, querido.

- Até! Melhor assim...

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