terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sobre Deus

No costurar de cada ponto de um corte
Na equação precisa das empadas
Na tessitura matemática de um texto
Na incongruência sistemática da paixão
Na busca incessante pela entorpecência
Está o Átomo.

Na imprevisibilidade alucinante da aurora
Na crueldade subjacente das vítimas
Na potência traumática dos algozes
Na função pedagógica da dor
No alívio mortal do crepúsculo
Está o Átomo.

Na loucura mística dos cientistas
Na exatidão do pulo felino
Na desordem homérica do trânsito
Na claridade torturante da verdade
Na lógica obsessiva dos místicos
Está o Átomo.

No êxtase pagão das virgens
Na santidade cristã das putas
Nos membros eretos dos garanhões
Na voz maviosa dos eunucos
Na multidimensionalidade genérica
Está o Átomo.

Na revanche esperada dos oprimidos
Na queda sonhada dos opressores
Na caduquice inexorável de toda revolução
Na vanguarda dos novos motins
No ciclo interminável da glória e do fracasso
Está o Átomo.

Na cosmogonia psicodélica de Lúcifer
No autoritarismo abusivo de Jeová
Nas renúncias manipuladoras de Merlim
Na devoção ensandecida de Morgana
Na mensagem imensurável de Exu
Está o Átomo.

No Ebó
Na Hóstia
Na Torá
No Corão
No Sabá
No Johrei
Na Unção
Na Sutra
No Vibuthi
No Oaska
Está o Átomo


No ego ferido de Salomé
Na cabeça cortada de João
Na loucura apaixonante do Cristo
No vaso de alabastro de Maria Madalena
Na ponta da língua de Einstein
Está o Átomo
E neste
Deus se senta
De cócoras.


Nenhum comentário:

Postar um comentário