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domingo, 12 de dezembro de 2010

Fim de Caso - Parte Final


Dois dias depois Afonso recebe um telefonema:

- Sim, é ele... Claro que conheço. De onde fala? Clínica?!... Que houve com ele? Claro. Estou indo para aí agora.

Sem pestanejar, entra no carro e dá a partida...

Chega à clinica e vai à recepção:

- Bom dia, eu quero ver o paciente Heitor Coelho. Ele se internou ontem à noite.

- Deixe-me ver – diz a recepcionista.

Após alguns procedimentos burocráticos, Afonso é encaminhado para o quarto de Heitor e o encontra acamado, tomando soro e depauperado:

- O que foi que aconteceu, rapaz? – Entra aflito.

- Mal de amor – Heitor ri.

Afonso higieniza as mãos com álcool gel e se coloca ao lado do enfermo, pegando-lhe a mão que está livre.

- O médico disse que foi emocional. Tive febre altíssima e entrei em convulsão.

- Mas Heitor! Está vendo só para que você foi se separar de mim?

Ambos sorriem:

- Só você para me fazer rir.

- E já sabe quando vai ter alta?

- Hoje. Acho que antes do meio-dia.

- Vai ficar lá em casa até se recuperar.

- Afonso...

- Heitor, quem vai cuidar de você se for para o flat? Tá doido,é? Vai lá pra casa. Cuido de você e depois que estiver bom, prometo que não vou lhe algemar na cabeceira da cama. Amo você. Independente de qualquer coisa.

- Também te amo.

Mais tarde, ambos estão de volta ao apartamento de Afonso. Heitor é instalado no quarto de hospedes e se sente deveras estranho com a nova situação. Há poucos dias ele estava nesse lar como parceiro do proprietário, quase dono. Agora retorna como hospede e convalescente. Vida louca. Afonso entra no quarto com um copo de suco de laranja e um sanduiche de queijo:

- Coma tudo, beba tudo e pode deixar aí que quando eu voltar, arrumo. Não pense em se esforçar. Você está fraco e precisa de repouso.

- Está bem, doutor.

- Tchau!

- Vá em paz.

À noite, ambos estão jantando na sala:

- Como foi seu dia, Afonso?

- O de sempre. E o seu?

- Reflexivo.

- Sua cara está melhor.

- Muito obrigado.

- Pare com isso.

- Raramente outra pessoa faria o que você está fazendo por mim.

- Heitor, temos uma história. Não me recuperei ainda da separação, mas raciocine comigo: não houve jogo sujo. Ambos erramos e a coisa deu no que deu. Há um amor entre nós que transcende a relação sexual que tínhamos e estou certo de que você faria o mesmo por mim.

- Faria sim. Sente saudade de nós?

- Sinto.

- Também sinto, mas sei que se for o caso de retomar, não há de ser agora.

- Concordo. Vá passear um pouco. Divirta-se, viva aventuras e eu farei o mesmo. Se lá na frente a gente concluir que é impossível vivermos um sem o outro, a gente casa de novo.

- Agora, sim, estamos fazendo a coisa da forma certa.

- Agora, sim, o nosso caso chega ao fim.

Dão-se as mãos e beijam-se docemente.

No dia seguinte, Heitor retorna ao flat, recuperado, e Afonso vai para o trabalho. A vida segue seu rumo ininterrupto, indiferente às idas e vindas do coração. A única missão realmente eficaz do ser humano é encontrar pessoas para amar e ser amado. Esse amor ganha várias nuances e surge envolto em tragédias, dramas e comedias. Alguns até viram caso de policia ou de terror. Fazer o quê? Tudo não passa de mera manifestação gradativa dessa coisa que é um não sei como que dá num não sei onde e começa, e termina num não sei quando.

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