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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sete Ciganos - 60




O mês de outubro passa com suas tristezas e alegrias. Os ciganos se inserem na rotina da cidade por demais hospitaleira: às quartas, vão às reuniões em casa de Mãe Lurdes, mantém relações de amizade e comércio com outros ciganos, nos finais de semana vão à Ilha de Itaparica, passeiam por cidades circunvizinhas e visitam Márcio, Olga e Timóteo.
As conversas com Mãe Lurdes se amiúdam de tal forma que eles passam a ser considerados “filhos” da casa e Sofia passa a ser muito requisitada pela mãe-de-santo para trabalhos com energias mais densas, já que esta enxerga naquela um Dom raro para a magia em todos os níveis, do mais denso ao mais sutil.

Novembro chega e com ele boas notícias: Tamires retorna finalmente grávida e muito feliz; Seu Domingos leva duas radiografias do pulmão, uma tirada no início de outubro; outra no final. Na primeira, a mancha no pulmão é bem visível; na outra, não há sinal de mancha.
Mãe Lurdes suspende a Mesa Branca Tradicional e começa a fazer as sessões em homenagem aos eguns, aos espíritos desencarnados. Na mesa, há flores, velas e uma imagem de Babá-Egun. Os ciganos só vão a uma reunião desse tipo.
Sâmia anuncia aos clientes e amigos que partirá em janeiro.

Em dezembro, Mãe Lurdes faz a tradicional festa de Iansã com seu farto caruru. A mesa é recolhida, os atabaques tomam conta do Caramanchão, chega muita gente de fora e outros ciganos vão participar da festa.
Casa cheia, Mãe Lurdes usa um suntuoso vestido vermelho e outros médiuns, homens e mulheres usam suas melhores roupas para a festa.
Soam os tambores, atabaques, timbaus e agogôs e a Gira festiva se inicia. Médiuns dançam no círculo e o axé vai tomando conta. A cada batida ou evocação da energia de um Orixá ou Guia, várias manifestações ocorrem.
Mãe Lurdes recebe o Caboclo Gentil e samba intensamente. Depois de algum tempo, recebe Iansã e o caruru é servido.
Depois outros Caboclos baixam, baixam os Erês e por fim, tocam samba de roda até o raiar do novo dia.
Exaustos e felizes os ciganos só se retiram quando Mãe Lurdes dá a festa por encerrada.
Nesse mês, Sâmia vai encerrando suas atividades e encaminhando as pessoas para Mãe Lurdes.
Os ciganos passam a noite de Natal com seus irmãos, num acampamento na Ilha de Itaparica e o Reveillon com Mãe Lurdes, que aproveita e faz uma grande festa de despedida para Sâmia. O Caramanchão enche de filhos de fé e ciganos que partilham suas comidas, bebidas, histórias, magia e tradições.
No dia primeiro do ano, todos vão para a praia, mal nasce o dia, para fazerem suas oferendas.

Quando retornam a Nazaré, Shalom recebe um telefonema de Gilberto:
- Meu filho, como vai?
- A sua bênção, meu pai.
- Que Bel-Karrano e Santa Sara lhe protejam. Saudade de você.
- Também, pai. Como vão todos?
- Vamos bem.
- E a quarta cigana?
- É uma mulher extraordinária.
- Quero conhecê-la. Ainda vão demorar na cidade?
- Estamos “levantando acampamento” amanhã. Vamos para Santo Amaro da Purificação, em busca do quinto cigano. Por quê?
- Deixei a batina, velho. Estou chegando em Nazaré hoje.
- Venha, meu garoto! – fala o cigano emocionado – Venha logo e me mantenha informado sobre o horário que vai chegar, pois vou te buscar na rodoviária.
- Está bem, meu pai. Dê um beijo em todos e um especial para você.
- Te amo, meu filho!
- Te amo, meu pai. Tem gente aqui querendo falar com você e com Sofia.
Gilberto passa o telefone para Eulália que está ao lado de Joventino, Margarida e Orlando. Todos falam com Shalom e Sofia e dizem que estão numa festa que eles e os paroquianos organizaram em homenagem ao Sacerdote querido que os está deixando.
Shalom partilha com os ciganos sua alegria.

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