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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sete Ciganos - 85

14/03.
Sofia telefona para Margarida, sua amiga de Brejões:
- Minha amiga!
- Sofia! Quanto tempo! Que bom falar contigo, minha amiga! Quanta saudade! Onde vocês estão?
- Também to com saudade, minha irmã. E hoje ela bateu mais forte ainda. Como estão todos aí?
- Estamos bem e com saudade de você. Eu e Orlando estamos expandindo nossos negócios. Dona Eulália e seu Jove estão curtindo a vida. E não sabe da última...
- Qual é?!
- Estou grávida!
- Ô Margô, que lindo! Já sabe o sexo?
- Já. É menino e vai se chamar Shalom.
- Ele vai adorar saber disso. Tenho também novidades:
- Já encontrou os seis?
- Sim. Estamos todos juntos.
- Que maravilha! Vocês conseguiram.
- Isso aí...
- Mas por que está com essa voz tristinha, minha amiga?
- No dia 20, vamos partir...
- ...
- Margô?!
- Então é verdade? – Margarida se entristece.
- É, meu bem.
- Para onde vão?
- Não sei. Não nos importa tanto o destino, mas a estrada.
- Saber que você está longe, mas aqui na superfície é uma coisa. Saber que você vai para outro mundo é bem diferente – começa a chorar.
- Acalme-se. Estaremos sempre juntas. Aconteça o que acontecer.
- Eu sei...
- Um beijo para todos aí. Especialmente para você.
- Beijo, amiga. Cuide-se.
- Pode deixar.
As duas chegam ao final da ligação chorando.

15/03.
O celular de Shalom toca. É Gilberto.
- Meu filho!
- E aí, cigano!
- Que alegria ouvir sua voz! Como você está?
- Bem demais, meu velho. Acabei de chegar a Lima. Devo estar indo hoje para Machu Pichu.
- Fico feliz por isso, meu menino.
- E você, como vai?
- Feliz. Conseguimos reunir os sete. Estamos agora em Feira de Santana e daqui a cinco dias... Estaremos partindo.
- Que bom, meu pai! Vou sentir saudades de vocês, mas sei que é o que deve acontecer. Ademais sei que estaremos sempre juntos, aonde quer que estejamos.
Shalom se emociona.
- Como estão todos?
- Bem. Transformamos um circo numa Tenda Mística e estamos fazendo sucesso. O ciganinho é fera.
Shalom conta para o filho tudo o que passaram desde que se viram pela última vez, em Nazaré das Farinhas.
- Haja história, pai.
- Filho, quero te perguntar uma coisa.
- Fale.
- Para o lugar aonde vamos, não precisamos de dinheiro e temos guardada uma boa quantia e ainda não temos com quem deixar. Você quer?
- Quero, mas façamos o seguinte. Vamos dividir essa grana entre mim a Pastoral do Nômade. Que você acha?
- Acho justo.
- Então dê o dinheiro ao padre Altino. Eu o conheço. Entrarei em contato com ele e darei as instruções para ele depositar na minha conta.
- Certo, meu filho, farei isso.
- Amo você, cigano!
- Também te amo, cigano. Desejo muito crescimento para você em sua peregrinação.
- Feliz retorno ao lar, meu pai.
- Obrigado, meu filho.
- E valeu pela ajuda.
- É o mínimo que posso fazer.
- Até um dia!
- Até!

Mais tarde o celular de Pedro também toca e é Márcio:
- Bruxo velho, descarado!
- Não me diga que é o feiticeiro Márcio?! Como vai, meu garoto?
- Bem e feliz com o sucesso de vocês. Não se fala outra coisa nos jornais além da Grande Tenda Mística. Vocês causaram grande reboliço.
- Coisa de cigano!...
- Saudade de vocês, amigo.
- E nós de vocês, como estão indo?
- Crescendo. Estou abrindo uma Fundação para ajudar jovens carentes com alguns cursos profissionalizantes. Estou seguindo o seu conselho de usar meu poder para coisas que edifiquem e te asseguro que estou muito feliz com isso.
- E os outros, como estão?
- Todo mundo bem. Caminhando. Olga e Timóteo estão trabalhando conosco.
- Que ótimo!
- Sonhei com a partida de vocês. Eu os via seguindo por uma longa estrada e aos poucos vocês iam sumindo, sumindo até desaparecerem por completo num facho de Luz.
- Partiremos no Equinócio de Outono.
- Daqui a cinco dias?!
- Isso mesmo.
- Boa viagem, meu amigo. Uma das coisas que mais agradeço a Deus foi o fato de termos nos encontrado. Você é um marco divisório em minha vida.
- Você fará muito mais do que eu, Bruxo peidão!
- Peidão é você, velho doido.
Despedem-se alegremente.

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