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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sete Ciganos - Epílogo


19/03.
Às 18h00 se encerram as atividades da Grande Tenda Mística e se inicia a grande festa de reabertura do circo em seu funcionamento normal. Dançarinas do Ventre, Engolidores de Fogo, Artistas de Rua, Artistas do circo e de outros circos, Artistas de TV, de cinema e teatro animam o ambiente.
A alegria contagia a todos e gente de todo mundo comparece ao evento. Há muitos místicos, videntes, cabalistas, ocultistas e iniciados nos mais diversos segmentos espirituais e religiosos e a troca de informações, conhecimento e afeto rola de forma solta e divertida.
O circo se transforma num centro de discussões onde todos são mestres e aprendizes. Os ciganos olham a tudo emocionados, dão entrevistas e alguns repórteres, cientes através de boatos da Lenda dos Sete Ciganos tentam arrancar algo deles a respeito, mas não obtêm sucesso.
Às 23h11, Daniel olha para cada um dos seis e faz um sinal com os olhos. Eles sabem que a hora está próxima. O menino assume o microfone e toda a atenção dos presentes é direcionada a ele:
- Boa noite, meus queridos!
- BOA NOITE! – Todos respondem.
- Que alegria estar com vocês! Estamos muito felizes da repercussão positiva que teve a Grande Tenda Mística. Tudo o que fazemos com amor cresce, multiplica e contagia as pessoas por toda a eternidade.
Chovem aplausos.
- Obrigado! Nós somos ciganos. Somos Filhos do Vento, do Trovão e das Estrelas. Nosso teto é o céu. Nossa casa é o Mundo. Nosso aquecedor, uma boa fogueira, em torno da qual cantamos, dançamos, comemos, bebemos, contamos histórias e enfim, vivemos. Somos livres. Temos nosso próprio código de ética, nossa magia, nossos mistérios e tesouros. Temos muito a ensinar e a aprender com vocês. Somos humanos como vocês. Pensamos que seja uma pena o fato de algumas pessoas se contentarem com guetos e segregações de grupos, tribos, raças, sexo, idade, condição socio-economico-cultural, opção sexual e por aí vai. Nossa mensagem é que embora cada um de nós seja uma individualidade, todos somos iguais. Viemos da mesma Fonte e para ela haveremos de retornar. Amamos vocês!
Uma salva de palmas de sete minutos chove no imenso toldo. Os ciganos se despedem carinhosamente do padre, de alguns amigos e do pessoal do circo, inclusive Diego e Rosita.
Com lágrima nos olhos Rosita abraça o filho:
-Vou sentir sua falta, meu ciganinho.
- Eu também sentirei a sua, mãe, mas estaremos sempre ligados. Obrigado por tudo.
- Amo você!
- Eu também te amo.
Os ciganos se emocionam
Daniel se dirige ao pai que o abraça e os dois explodem num choro convulso. Em seguida só se olham e Diego não verbaliza coisa alguma. Seus olhos transmitem para cada um o quanto o outro o ama. Quando a boca se cala, o corpo fala e essa é a linguagem mais sagrada.
Diego tenta falar e o filho põe carinhosamente o dedo em sua boca:
- Não precisa... Eu sei.
Dão um abraço apertado e os ciganos se vão discretamente.
Sorrateiramente Diego os segue.

Noite de Lua Cheia. Às 00h01 ocorrerá o Equinócio de Outono. A lua grávida ilumina a noite, a cidade, a mata, o pasto, os rios e mares. Ela é mãe de tudo. Os ciganos estão no meio de uma estrada, andando em direção à Constelação do Cruzeiro do Sul que está mais brilhante do que nunca: no centro está Daniel de mãos dadas com Pedro do lado esquerdo e com Zenaide à direita; esta por sua vez está de mão dada com Antonio que segura a mão de Sâmia; Pedro segura a mão de Sofia que está de mão dada com Shalom. À medida que eles caminham, vão adquirindo uma estranha luminosidade e Diego observa isso maravilhado.
No horário previsto ocorre o Equinócio e um jato de luz é projetado do Cruzeiro do Sul. Esse banho de Luz atinge os nossos amigos e num átimo, eles desaparecem e se reintegram às estrelas.

Emocionado, Diego ri e chora pelo que acabou de ver. Primeiro sente um imenso vazio que dói tanto a ponto de ele pensar que está prestes a morrer, mas o que era vácuo se preenche de um amor tão imenso e ele sorri quando constata que o verdadeiro Amor liberta, cuida e faz feliz; está acima do tempo, do espaço e de qualquer dimensão. É a Lei Maior e todos sem exceção um dia haverão de experimentá-lo plenamente e integrarão tudo o que são, o que viveram, o que vivem, e assim atingirão a totalidade e se transformarão em Pura Luz.
Diego não foi mais o mesmo depois daquele dia. Passou a ter uma vida mais tranquila, mais centrada e conciliava as coisas do circo com pesquisas sobre os ciganos e auto-conhecimento e ainda produzia um manuscrito chamado “Sete Ciganos”.
Foi justamente nessa época que o conheci, mas ele me falava pouco dos ciganos e me disse certa feita que sonhou com seu filho lhe dizendo que a história deles seria divulgada por mim. Achei o negócio meio fantasioso, mas para não ser grosseiro com meu novo amigo, preferi não me manifestar sobre isso.
Diego adoeceu, ficou acamado por um tempo, mas permaneceu lúcido até o ultimo instante. E segundo a dedicada esposa, sempre conversava com os Sete Ciganos, em contatos astrais, que lhe transmitiam paz e amor. Antes de morrer, porém, pediu a Rosita que me entregasse o manuscrito e nele e estava escrito: “Faça dele o que julgar melhor. Siga seu coração”.
Após relutar com todas as minhas forças no sentido de publicar esse material, eu mesmo tive contato com os Sete Ciganos, astralinamente, e não tive outro caminho a seguir senão esse... Foi a minha melhor escolha.

Antonio Aruanda.

5 comentários:

  1. Antonio, qdo li "Epílogo" fiquei triste. Acabou a saga e eu não li um capítulo sequer. E pior agora que estou em pausa para terminar meu TCC...
    Mas pensando em vc tenho certeza que isso vai virar livro, e aí não tem como eu não ler.

    bjo, irmão e sucesso sempre!

    PS: Acabou mesmo?

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  2. Que lindo!!Como você sabe conclui um ciclo da minha vida e Sete Ciganos fez parte dele. Através da leitura permanecia sintonizada com vocês, além de ter sido um bálsamo para minha alma no momento mais difícil da minha vida. Aprendi muito com os ciganos figuras sábias, iluminadas e amorosas. Espero que se torne um livro, pois mais pessoas merecem lê-lo. Parabéns pelo ótimo escritor que és. Beijos meu irmão. Amo-te.

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  3. Paty, minha mana. Virará livro sim e eu adoraria que vc tivesse tirado aquela foto em Santo Antonio, com os seis ciganos - seria a capa do livro :) - Valeu pela força, meu anjo. Tem ainda a história de Gilberto, filho de Shalom, mas tô dando uma respirada... No tempo certo, virará fruto. Te amo.

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  4. Lore, vou te contar um segredo: você foi uma das pessoas que me fizeram seguir com a história e concluí-la. Senti nossa conexão durante todo o processo e isso foi lindo! Muito obrigado, minha mana, minha colega, minha amiga. A razão da vida de um escritor não é o que ele escreve, mas o leitor que o espera. Também te amo.

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  5. Seu Aruanda!!!!

    Parabéns! Falta-me ler alguns capítulos (falta de tempo por motivo de trabalho) mas do que li, adorei e se não deixei comentário foi apenas por descuido... adorei!

    bjs meus

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