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domingo, 4 de julho de 2010

A Gênese

A GÊNESE

CAPITULO 45

Concepção, Direção e Produção: Maci Barbosa;

Organização, Trilha Sonora e Sonoplastia: Antonio Aruanda;

Texto: Antonio Aruanda, Maci Barbosa, Liliana Santana, Janaina Amorim,

Jailton Santos e Dilza de Jesus;

Cenografia, Figurino e Contra-Regra: Liliana Santana e Janaina Amorim;

Apoio Técnico: Marcos Campos e Francinete Abdon;

Iluminação: Alice Motti e Emanoela Nery;

Filmagem: Janaina Abdon.

ELENCO:

LENA

JAILTON

JANAINA

DILZA

LILIANA

MÚSICA 1 – CIRCLE OF LIFE – ENTRADA.

MÚSICA 2 – (TEMA DE LENA)

LENA: No livro do Genesis, que anuncia a criação do mundo, é traçado o caminho que nós seguimos, o da evolução do ser, da matéria ao espírito.

No irrefreável transformismo evolutivo, primeiro nasce a TERRA e depois a LUZ.

E o impulso divino, sempre atuante, criou o Homem feito de matéria, é o γ (gama).

No dia 30 de agosto de 1963, a árvore genealógica de uma família de Parafuso, distrito de Camaçari, ganhou mais um ramo, que futuramente se tornaria mais um galho e daria outros ramos, folhas, flores e frutos. Seu nome, Jailton...

MÚSICA 3 – TEMA DE JAILTON – AMÉRICA DO NORTE

Jailton começa a se movimentar vagarosamente atrás da árvore, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento – com o corpo cheio de folhas, vai caminhando lentamente e tirando-as – Chega ao centro do palco...

JAILTON: Nascimento de parto normal, em casa de minha avó, onde morávamos afastados da Vila. Banho de rio, correr, brincar, fazer traquinagem, como todas as crianças daquela época...1ª morte: Foi quando, por volta dos sete anos, já morando em Candeias, depois de meu pai ter talvez, um mês de morto e sepultado, eu pensei vê-lo no bar, jogando dominó e corri para casa para avisar à minha mãe e aos meus outros irmãos. Para minha surpresa meus irmãos mais velhos riram e zombaram de mim afirmando que ele estava morto e enterrado. No entanto fiquei por algum tempo afirmando o que tinha visto. Mais tarde e outras vezes fui àquele bar e aquele homem como de costume lá estava e nem mesmo a mim se dirigia. Foi então, que acreditei que meu pai de fato tinha morrido. E eu morrera junto a partir daquele instante. Contar esta passagem da minha vida me trazia dor imensa durante parte da minha existência...

MUSICA 4 - REQUIEM

(Jailton retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: E eis que nos espaços imensuráveis, desenvolve-se uma rotação, um caminhar sem limites; a matéria vai sendo permeada de nova vibração que lança eclipses, espirais, vórtices.

Acontecem equilíbrios e desequilíbrios para mover a animar todas as coisas.

Nasce assim o β (beta) que se expande em todas as direções, preenche e une os espaços numa rede de ações e reações.

“Água que nasce da fonte serena do mundo e que abre um profundo grotão”. Alguns dizem que a vida começa na água e no dia 16 de março de 1987, em Salvador, uma nova mulher vem ao mundo, uma vida protegida por Yemanjá e Oxum e que, em homenagem a um amigo do pai, um pescador, recebeu o nome de Janaina...

MÚSICA 5 – TEMA DE JANAINA - LENDA DAS SEREIAS

Janaina começa a se movimentar vagarosamente atrás da fonte, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

JANAINA: Dos 0 aos 12 anos.

Eu nasci no Hospital São Salvador no dia 16 de Março de 1987 às 12:20. Minha mãe me teve depois de ter perdido dois filhos e fazer um longo e difícil tratamento para engravidar novamente. Antes de nascer já tinha o nome escolhido, meu pai teve um amigo pescador que antes de morrer pediu para colocar o nome da sua primeira filha de Janaína.

Tive um nascimento difícil fiquei atravessada, minha mãe perdeu o líquido, fiz muito esforço para vir ao mundo. Não nasci muito bonita não e isso me deu muitos apelidos estranhos e ainda fiquei careca ate os dois anos!

Fui um bebe muito amado, desejado por todos que viviam comigo. Pais, tios, tias, primos, amigos dos pais, vizinhos todos me paparicavam, me carregavam pra lá e pra cá enfim uma festa só!

Ainda pequeninha viajei com meus pais para vários lugares, Curitiba, Foz do Iguaçu, Argentina, Paraguai e lá vai... Nasci numa época próspera para meus pais e tive tudo que uma criança poderia ter, meu aniversário de 1 ano foi apoteótico e lembrado por todos ate hoje. Fui muito feliz sem imaginar o que estava começando a viver...

Aos 03 anos de idade tudo muda! Meus passam a ser seperados-brigados-amigos coloridos!

Casa nova, vida nova e menos fartura e cedo aprendi a me virar sozinha... e cuidar de um irmão, mas sem deixar a imaginação de lado. Assim, tive momentos infantis, aprontei, inventei, descobri, dancei, ri , cantei, corri, fiz amigos por toda parte e a cada instante. Brincava e cuidava da casa e do meu irmão que sofria com minhas loucuras às vezes.

Quando meu avo morreu depois de dois anos debilitado, foi muito triste sua partida porque eu o amava muito e foi aí que eu, minha mãe e meus irmãos nos mudamos para São Caetano e lá eu que já era “cabeça feita” de responsabilidades e obrigações, mas a imaginação, a dança e o teatro eram insistentes carrego muitos sonhos dessa época de menina...

Tive paixões platônicas e outras reais ao mesmo tempo em que brigas e dores em casa aumentavam. É neste momento que comecei abrir mão de alguns sonhos e fantasias fui guardando no coração e comecei a lutar pela sobrevivência, cuidar agora dos dois irmãos, da casa, de mim, já não sei se posso ser e ter o que quero e já vou indo com os meus 12 anos.

MUSICA 4 - REQUIEM

(Janaina retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: O funcionamento orgânico do Universo afirma-se, a gravitação liga e une suas partes, o impulso centrifugo abre vórtices e dilata o movimento da estagnação para a maturação da matéria. Nasce a estagnação instável que traz a força do equilíbrio.

Duma concha nasceu Afrodite para os Gregos ou Venus, para os Romanos. Das conchas, nascem perolas preciosas. A concha simboliza o feminino e num dia, em Camaçari, nasce da concha materna, uma perola rara, Dilza...

MÚSICA 6 – TEMA DE DILZA- SANDALIA DE COURO

Dilza começa a se movimentar vagarosamente atrás da concha, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

DILZA: Sou Dilza, nasci em Camaçari, sinto que sou tudo, dentro de mim cabe de um pouco que tem no universo.

Tem uma questão que sempre me incomodou- a pobreza-.

E me dei conta disso quando vivenciei uma situação aos sete anos de idade.Eu e meus irmãos , Leda e Lucas e outros coleguinhas, num dia qualquer da semana, depois de muito brincar no areal perto de casa, deu uma fome e é claro em casa não tinha merenda, tínhamos que esperar mãe chegar do trabalho a noite para tomarmos o café e só.

Daí sentados na frente de casa e admirando as arvores frutíferas da chácara do outro lado, tudo carregadinha, manga, caju,jaca. Pensamos, vamos entrar pegar uma jaca, sair correndo, aproveitamos que Seu Titi, não estava (o caseiro) ele era muito brabo, não adiantava a gente pedir, ele não dava preferia jogar fora as frutas depois que apodrecessem. Bem assim fizemos, entramos todos , ninguém ia dá falta era muita jaca, e só íamos pegar uma, só que não contávamos que ele voltasse logo, ouvimos o barulho no portão, ai foi uma correria só, claro com a jaca na mão., a cerca de arame com um palmo, entre um fio e outro, Até hoje me pergunto como foi que atravessamos a cerca sem um aranhão.Corremos para o morro, também perto de casa, tínhamos que comer tudo e enterrar as cascas, era um pecado jogar jaca fora de tão gostosa que era e alem do mais se Seu Titi fosse falar com mãe ele não iria achar nenhuma prova contra nós.Comemos tudo mesmo empanzinados’, mãe só ficou sabendo alguns anos bem mais tarde.

Mas o que me incomodou muito profundamente foi sentir o egoísmo, a ruindade do Seu Titi e a sensação de ser privada do ter. A ausência do dinheiro, me deixou numa profunda tristeza, até que apareceu outra arte para aprontarmos. Mas foi marcante.

MUSICA 4 - REQUIEM

(Dilza retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: A Lei disciplina instantaneamente toda forma dinâmica de vida, logo em seu primeiro aparecimento, de forma individualizada por uma Lei férrea individual.

Tudo parece ocorrer automaticamente, porque a mão de Deus não é algo de externo e visível, mas é um conceito que é a alma das coisas.

A gravitação, a luz, o calor, a eletricidade, o som de todas as formas dinâmicas sabem, todos eles, o seu caminho e a cada momento, a cada manifestação, em sua própria consciência instintiva, fala a grande LEI.

Contam os nativos que as pedras são os deuses que aqui baixaram e nelas se transformaram para aprenderem o limite entre a rigidez e a flexibilidade humana. Xangô habita nas pedreiras e no dia 16 de setembro nasce em Salvador uma mulher meio rocha, meio água, seu nome, Liliana...

MÚSICA 7 – TEMA DE LILIANA – ABRE CAMINHO

Liliana começa a se movimentar vagarosamente atrás da rocha, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

LILIANA: 0 A 12 ANOS

ERA 16 DE SETEMBRO, AS 9H00 NA RUA LIMA TEIXEIRA 09 DE CERTO BAIRRO CHAMADO COSME DE FARIAS.UM DOMINGO QUASE PRIMAVERA NASCEU PARA O PLANETA ISABELA OU LILIANA?RSSSS
BEM FOI LILIANA O NOME ESCOLHIDO, ISABELA SERIA EM HOMENANGEM AS MINHAS AVÓS MATERNA/PATERNA.
MAIS COMO A VÓ MATERNA ACHOU QUE ME TRARIA AZAR COLOCAR EM MEU NOME METADE DO DELA,AQUI ESTOU TOTALMENTEEEEEEEEEEE LILIANA.
BRANCA ERA ASSIM QUE MEU PAI ME CHAMAVA POR SER TOTALMENTE BRANQUELA E DE CABELOS LOIROS.ACREDITE EU ERA LOIRAAAAAAAA!!!! RSSSSSS
BEM, VIVIA COM MINHA FAMILIA QUE POR SINAL ERA GRANDE TIPO ITALIANA AVÓS,TIOS,PRIMOS E AGREGADOS SEMPRE MORARAM COM MEUS PAIS. ESSA CASA ERA ALUGADA, TINHA DUAS IRMAS MAIS VELHAS E AS VIZINHAS COM QUEM BRINCAVA, LEMBRO QUE TINHA MEDO DE CARETA, NO CARNAVAL MEU VIZINHOS SEMPRE SAIA FANTASIADOS DE CARETAS EU TINHA UM VERDADEIRO PAVOR.
MAIS TARDE NASCEU MEU IRMÃO MEU COMPANHEIRO DE PRISÃO.
UM DIA, SE EU ENTENDI MUITO BEM ,TIVE QUE SAIR DA MINHA CASA ONDE NASCI E ESTAVA ME CRIANDO.FUI PARA UM BARRAÇÃO GRANDE DE PAREDE DE MADEIRA, MINHA FAMILIA TINHA SIDO DESPEJADA PELA DONA DA CASA UMA SERVA DE JOVÁ.
PASSOU-SE UM TEMPO... MEUS PAIS MORANDO COM MINHA AVÓ MATERNA, COMPRARAM UM TERRENO NA MESMA RUA E LÁ COMEÇAMOS A CONSTRUIR A NOSSA CASA.LEMBRO BEM ERA UMA ENTRADA NA RUA DIRETA ONDE NASCI,TINHA UM LADEIRA DE BARRO COM MUITAS BANANEIRAS.LEVANTARAM AS PAREDES , LEMBRO QUE TINHA UM BURACO GRANDE ACHO QUE TINHA 5 METROS DE ALTURA BEM ONDE ERA PRA SER A NOSSA SALA,ALI SERIA A FOSSA DA NOSSA CASA, UM DIA MEU IRÃO SUMIU FOI UMA LOUCURA TODO MUNDO PROCURANDO POR ELE,QUANDO FOI ENCONTRADO ESTAVA NA NOSSA CASA SENTADO TRANQUILAMENTE NA BEIRA DESSE BURACO. FOI UM SUSTO DANADO VIU. AI MEU PAI COLOCOU O TELHADO, A PORTA DE COMPENSADO, O CHÃO ERA DE CIMENTO VERMELHO E A LUZ ERA “UM GATO” E MUDAMOS.
LEMBRO DE MINHA MÃE E MEU PAI SAINDO PARA TRABALHAREM BEM CEDO, LEVANDO MINHAS IRMÃS PARA ESCOLA, FECHAVA A PORTA POR FORA AMARRADA COM FIOS,FICAVA EU E MEU IRMÃO DORMINDO.QUANDO ACORDAVA SUBIA NO BOTIJÃO DE GÁS PARA FICAR OLHANDO A RUA.MINHA MÃE CHEGAVA NA HORA DO ALMOÇO COM MINHAS IRMÃS AI ELA IA CONZINHAR,LAVAR ROUPA ,LIMPAR A CASA...NISSO FOMOS CRESCENDO VENDO A DUREZA DE SER FILHOS DE FUNCIONARIOS PÚBLICOS,LUTANDO PARA TER UMA CASA, PAGAR AS CONTAS E MANTER OS FILHOS NA ESCOLA.
SINTO QUE ALI FOI A MINHA PRIMEIRA MORTE

MUSICA 4 - REQUIEM

(Liliana retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: O tempo passou, o vento sacudiu as folhas e galhos das arvores e trouxe dores e alegrias. Assim como elas chegaram, se foram e Jailton renasceu...

MUSICA 3

Jailton começa a se movimentar vagarosamente atrás da árvore, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

JAILTON: 2ª morte: Minha namorada engravida aos 16 e eu com 17 anos, na nossa primeira vez. Não tínhamos a aprovação de sua mãe para namorarmos e nem eira nem beira. Não trabalhava, comia e dormia na casa de minha mãe ouvindo sermões e reclamações, embora estudasse o ginasial, oitava série. Que sufoco. Tentei fugir, não queria assumir a criança, não sabia direito o que era menstruação quanto mais ela me dizer: “Jai, eu não sou mais moça, e agora? Minha regra ta atrasada! Você é meu devedor!”. Saí de Candeias sobre o pretexto de estudar e trabalhar. Nestas circunstâncias nasceu Uenderson, nosso primeiro filho...Renascimento: Aos 17 anos e cinco meses saí de Candeias. Estudei, me converti em Testemunha de Jeová, concluí o 2º grau profissionalizante, Química, e fui trabalhar como operador de processos numa fábrica do pólo. Sob pressão dos Anciões, retomei a relação com Ciete, nos casamos, tivemos nosso segundo filho, Ítalo, que foi muito desejado e amado...

MUSICA 4 - REQUIEM

(Jailton retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: Água vem, água vai. “A vida vem em ondas como o mar” e entre tempestades e calmarias, Janaina renasceu...

MUSICA 5

Janaina começa a se movimentar vagarosamente atrás da fonte, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

JANAINA: Dos 13 aos 16 anos.

Viva aos 13 anos!Ah! Quero viver tanta coisa, o teatro é tão lindo, quero largar tudo e viver de arte... (risos) “Calma alma minha calminha!”

Vou para escola no centro da cidade e o ônibus é a maior folia, de noite vou namorar no parque de diversões escondido (hum! É bom...). Eita lelê lá vem minha mãe, socorrooo vou apanhar! (foram tantas surras, mas valeram à pena).

Aaahhhhhh!! To Apaixonada e todas as minhas amigas sabem, é tempo de andar com a galera da rua, vamos fazer um Hallowen, brincar de verdade e conseqüência, ir ao parque só para namorar, andar de patins, fazer festas de aniversário, dançar pagode, forró e Spice Girls!

Minha família andava junta ainda, então íamos muito para casa de minha Tia em Jauá, era no natal, ano novo, no carnaval e quase todos os feriados do ano, era tanta gente, tios, tias, primos, irmãos, amigos casa cheia com gente dormindo na cozinha, na varanda e no carro (risos). Eu e mais todas as outras crianças brincávamos de esconde-esconde, trilha no mato, pegar onda e jacaré na praia...

Ui! Eu menstruei, meus seios cresceram agora sou uma adolescente!

Para melhorar a situação em casa, minha mãe resolve abrir uma lanchonetizinha, e ai deixei o teatro para tomar conta. As coisas mesmo assim não melhoram muito e se levanta a hipótese de sair do colégio particular, apesar de separados meus pais brigam cada vez mais.

Vou nos finais de semana para casa do meu pai, e lá tem outra parte de minha família, são os irmãos mais velhos, os amigos de meu pai que são quase tios meus, enfim um universo meio paralelo e bem diferente do que vivo com minha mãe. Fico meio confusa com algumas coisas, bate uma tristeza e às vezes uma vontade de sumir.

Na escola começo a ficar o dia todo, começo a desmaiar na sala de aula, fico me alimentando mal e vou a uma série de médicos e quando vou ao oftalmologista tem uma suspeita de tumor no olho esquerdo fui para Belo Horizonte fazer exames felizmente não era tumor mais sim uma deformação, passo a usar tampão e fazer o tratamento, foi uma fase difícil, sofrida e eu não suportei a pressão e rejeitei o tratamento e fiquei com apenas 10% da visão do olho esquerdo.

O tempo passa e eu completo 15 anos e meus pais fazem uma festa inesquecível, um momento tão bom pena que rápido. Logo em seguida começa uma fase de mudanças.

Para fugir da possibilidade de ir para escola pública e de para ter uma vida melhor e mais próxima de meu pai, aceitei o seu convite e fui morar em Camaçari e é começo de uma fase meio cinza pra mim. Estou com 16 anos varando uma madrugada de lágrimas.

MUSICA 4 - REQUIEM

(Janaina retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: Conchas se fecham, conchas se abrem. Em cada concha, um segredo e uma revelação - Dilza renasce...

MUSICA 6

Dilza começa a se movimentar vagarosamente atrás da concha, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

DILZA: Dos 13 aos 16 anos

Eu participava de um grupo de teatro e dança, sempre gostei de artes. Nesse grupo eu fazia um pouco de tudo, mas eu sentia que os diretores não levavam muita fé no meu talento e sempre sobrava personagem com pouca participação, poucas falas , tudo era pouco, até tudo bem, eu percebia mas não falava , afinal de contas estava participando. Mas quando foram montar um espetáculo de dança, doeu muito, pois eu senti na pele a exclusão,fique fora de 5 coreografias,participei apenas de uma, mesmo mostrando que sabia as demais coreografias, a desculpa era sempre a mesma o elenco esta completo.Ser preta e pobre,contribuiu muito para ser excluída, mais uma vez a pobreza bateu na minha cara querendo me dizer que ali não era o meu lugar, que Para umas pessoas tudo e para outras nada ou as sobras, ( foi assim que entendi na época)fiquei mal.

MUSICA 4 - REQUIEM

(Dilza retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: O musgo nasce nas rochas e segundo o segundo o provérbio, “Água mole em pedra dura...” (deixar que o público complete). Em meio à dureza da vida e às suas ilusões, Liliana renasceu...

MUSICA 7

Liliana começa a se movimentar vagarosamente atrás da rocha, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

LILIANA: IDADE 12 A 16 ANOS
A CASA AGORA ESTAVA MELHOR: PORTAS, JANELAS ,COZINHA COM PIA TUDO DIRETINHO.
NA MINHA CASA CADA UMA TINHA UMA TAREFA ,QUEM ESTUDAVA PELA MANHA LAVAVA OS PRATOS DO ALMOÇO E LIMPAVA A COZINHA.QUEM ESTUDAVA À TARDE VARRIA A CASA TODA, ARRUMAVA AS CAMAS E LIMPAVA OS BANHEIROS. EU SOBRAVA NESSA - SEMPRE ESTUDEI A TARDE(RSSSSS). MEU PAI ERA UM HUM HOMEM DIVERTIDO UM MENINO GRANDE, JÁ MINHA MÃE ERA UM GENERAL DA ARMADA.QUANDO ELA CHEGAVA DO TRABALHO, ERA HORA DO FALATORIO. SE QUIMAVA UMA SIMPLES LAMPADA LÁ ESTAVA TODO MUNDO DORMINDO AS 17H00 DA TARDE COM MEDO DELA. A TV PRETO E BRANCO AI AI VIU!!! UMA VALVULA QUIMAVA ERA UM MES SEM TV E A LADAINHA ERA TODO DIA (RSSSSSS).
DIA DE SABADO ERA A FAXINA PESADA LÁ EM CASA, AI A COISA PEGAVA: UMA FICAVA COM A ROUPA, A OUTRA COM A COZINHA E OUTRA COM O RESTO DA CASA E MINHA MÃE AJUDAVA, ERA PORRADA NA CERTA TOALHA MOLHADA E PANO DE PRATO PARA TODO LADO.
TAMBÉM ERA UMA BRIGA DA ZORRA DA GENTE(RSSSSS),NO FIM DO DIA A CASA ESTAVA UM BRINCO CHEIRANDO A CERA PARQUETINA, A ANGELICA E BOLO DE LARANJA.AS COSTAS E BRAÇOS TBM ESTAVA COM LAPÃO DA TOALHA E PANO DE PRATO MOLHADO.
TUDO ISSO FOI MINHA VIDA, MINHAS IRMÃS CADA UMA TEVE ALGO DE ESPECIAL NO SEU ANIVERSARIO DE 15 ANOS A MAIS VELHA RECEBEU UM ANEL DE OURO COM RUBI( ERA LINDO), A OUTRA TEVE TUDO UMA FESTA COM DIREITO A BOLO, VESTIDO COM DE ROSA, DANÇA E CASA CHEIA.EU NÃO TIVE NADA
ALI MORRI PELA SEGUNDA VEZ!!!!!

MUSICA 4 - REQUIEM

(Liliana retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: A vida tem formas estranhas de ensinar. Cada escolha tem sua dor e seu prazer. Em meio às conseqüências das próprias opções, Jailton renasce outra vez...

MUSICA 3

Jailton começa a se movimentar vagarosamente atrás da árvore, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

JAILTON: 3ª morte: comecei a beber muito e a farrear. Faltei ao trabalho, sofri um acidente de carro, por está bêbado e fui demitido. Fiquei um ano desempregado eu e minha família passamos necessidades. Fui admitido em nova empresa no pólo e tudo parecia ir bem, quando adoeci de problemas na coluna, fui afastado do trabalho e nesse período, minha maneira de beber se agravou. Abandonei Ciete e meus filhos. Fui curtir a noite e tudo que ela proporciona. Numa destas curtições conheci Bete, ela engravidou indesejadamente e, sem querer fomos morar juntos. Assim nasceu Yuri, meu terceiro filho. Como um barco a deriva que se afasta da margem, o alcoolismo se instalou em mim como uma praga. E quando dei por mim, já estava no meio do lago sem remo para navegar e sem saber nadar. Bete pegou Yuri e foi embora. Mergulhei no fundo do poço... Foi minha derrota total. (Nada mais fazia sentido para mim a não ser beber para dormir e acordar para beber mais para adormecer). Fui demitido novamente e, com isso toda uma perspectiva de retomada de vida e de crescimento financeiro, cultural, intelectual dançaram... Renascimento: Aos 34 anos e nove meses cheguei ao A.A. e tive arrancada de mim a compulsão que me fazia escravo do álcool. Até hoje permaneço sóbrio, um dia de cada vez. Retomei a relação com Bete. Fiz vestibular pela primeira vez aos 40 anos e ingressei numa universidade pública, onde concluí com muito esforço, suor e trabalho o curso de Pedagogia. Comprei um terreno em Camaçari. Construí uma casa onde moro atualmente com meu filho Yuri. Conheci a IKG da qual sou parte até hoje. Passei em dois concursos públicos para a Prefeitura municipal de Camaçari, onde leciona no Ensino Fundamental I.

MUSICA 4 - REQUIEM

(Jailton retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: “Nossa linda juventude, páginas de um livro bom, canta que te quero, gás e calor, raça como nossa cor.” Flávio Venturini. Paixões, festas, ídolos, família, menstruação! A vida com seus encantos e tristezas, Janaina renasce...

MUSICA 5

Janaina começa a se movimentar vagarosamente atrás da fonte, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

JANAINA: Dos 16 aos 23 anos.

Casa, colégio, bairro, rotina tudo novo. Uma convivência intensa de 03 anos difíceis, de muito aprendizado e acima de tudo de escolhas que mudariam a minha vida.

Em Camaçari conheci amigos que são eternos, que me deram o ombro quando mais precisei e os amigos de Salvador também se fizeram presentes, Adriana e Naiara foram essências nas cartinhas pelo correio, nas ligações de mais de 2 horas e nos abraços de saudades.

A escola era legal só que eu me sentia uma estranha do ninho, era um mundo de “elite” que não me pertencia. Com o tempo consegui superar as diferenças e me divertir, afinal era uma vida fácil de viver com menos responsabilidades.

Voltei para o teatro ah! Que prazer, que sonho, que lindo! Fiz novas amizades, li tantos textos, tive conato com atores, diretores incríveis e vi que com certeza era ali o meu lugar!

Em casa os momentos bons cabem as filosóficas e longas conversas de pai e filha, das músicas nas alturas, nas confissões entre irmãos feitas no quarto, nas danças solitárias na sala... E só! O resto era conflituoso e se for apara dramatizar eu seria a gata borralheira.

O tempo passava e tudo só piorava os momentos bons já estavam quase desaparecendo e me vi passando madrugadas de lágrimas, o dia em silencio, e só tinha na escola ou no cursinho o momento para sair das brigas, da revolta, das magoas acumuladas, dos embates e tudo mais. Eu queria explodir, entretanto as músicas, os filmes, o estudo, os amigos ajudavam a me segurar sem falar nas escapulidas para Salvador...

Foi aí que um dia uma moça amiga de uma das pessoas que moravam comigo me convidou para ir a uma feira esotérica, é nessas horas que se diz: “num dia de chuva preste atenção que sempre há um arco Iris”.

A feira era num lugar no meio do mato, tinha umas pessoas diferentes e tinha uma moça bonita vendendo um monte de coisa esotérica o clima era ótimo ai eu gostei e diz que gostaria de voltar lá

Era a Instituição Kalil Gibran. Eu tinha 17 anos e passei a freqüentar, fiz o PNL 1, comecei a fazer terapia, conheci Ci e Tom, nasceu uma amizade cheia de cumplicidade e um amor tão forte, tão lindo que me salvou. Comecei a curar feridas, a colorir o mundo de novo, em vez de chorar tanto passei a gritar. Aos 18 anos estava fazendo a EFI e com 19 estava passando para o 01 grau, foi ai que tomei coragem e decidir sair da casa do meu pai. Ainda confusa, mas andando com minhas próprias pernas e fazendo aquilo que acreditei ser o certo pra mim.

Houve muito momentos de dor, o desafio de voltar a minha casa também tinha seus percalços. Tive meu primeiro emprego de carteira assinada, uma experiência incrível que me treinou para vida como ela é, conheci pessoas maravilhosas, aprendi muito, cresci amadureci criei meu caminho e estava muito feliz com as conquistas. Fiz um breve retorno ao teatro e foi muito enriquecedor, fiz muito bons amigos e vivi coisas intensas, mas ainda não era o momento e por priorizar outras coisas resolvi abrir mão mais uma vez...

E de repente uma surpresa! Eu passei na UNEB! UHUHUHUHUUHUHUHUH!!!!!!!

O sonho de entrar em uma Universidade pública estava se realizando e eu larguei tudo e fui vive-lo, com certeza a maior e melhor experiência da minha vida!

Amigos, festas, viagens, seminários, a criatividade a flor da pele, projetos, empresa Junior, eventos, produção cultural, mais amizades, professores que abrirão meus horizontes, receptivos, estágios na Bahiatursa, na UNEB, no albergue, fui para Chapada conheci o Vale do Capão (era um grande sonho), vivi alguns amores intensos e alguma dores profundas também...

O tempo passa e eu chego aos 23 anos, ainda na Kalil agora passando para o 05 grau da loja e isso pra mim é uma grande vitória, continuo sonhadora, porém um tanto triste...

Por muitos motivos não conseguir me formar, preciso refazer a monografia e continuar numa luta incessante para sair das crises financeiras, na procura de emprego e oportunidades que seja reconhecida naquilo que faço...

Vivo um momento de solidão profunda, um abandono de sonhos e desejos que carrego na alma...

E agora o que fazer? Aonde ir? Que vazio.. Que dor. O que fazer? O que fazer?

MUSICA 4 - REQUIEM

(Janaina retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: A vida é feita de expectativas que podem resultar em realizações ou frustrações. Às vezes, optamos por experimentar o amargo da vida e ainda assim, sobrevivemos- Dilza sobreviveu e renasce...

MUSICA 6

Dilza começa a se movimentar vagarosamente atrás da fonte, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

DILZA: Dos 17 aos 25 anos

1979 ,Tinha 18 anos ia fazer 19. Estudei que nem uma louca para o vestibular, tinha certeza que ia passar, enquanto minhas colegas de magistério optaram por trabalhar apenas, eu queria mais que isso, esqueci festinhas, namorado não tinha, só estudava .Prestei vestibular na UFBA, para Agronomia, saiu o gabarito, e eu já comemorava pela pontuação que havia feito o suficiente para esta entre os primeiros classificados, mas daí veio a desilusão, havia uma tal da lei do boi que favorecia os filhos de fazendeiros, pronto tomaram a minha vaga, me senti traída, puxaram o meu tapete.Mais uma vez os ricos, o poder, cruzavam o meu caminho fiquei com muito ódio, raiva e uma profunda tristeza.

MUSICA 4 - REQUIEM

(Dilza retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: Não é nada fácil ser filha de um Peter Pan e de uma Generala. Bom que além das toalhadas nas costas, tinha bolo de laranja e perfume de angélica nos finais de semana. E mesmo vendo suas ilusões ruindo aos 15 anos, Liliana renasceu...

MUSICA 7

Liliana começa a se movimentar vagarosamente atrás da rocha, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

LILIANA: IDADE DE 16 A 25

ESTUDAVA, ERA MUITO BOM(RSSS),IR PARA O COLEGIO ME DIVERTIA MUITO. TINHA UMA TURMA MUITO LOUCA. ERA UM GRUPO DE 3 MENINAS E 7 MENINOS(RSSSSSS) CARAMBA! ERAM MUITAS RISADAS E GOZAÇÃO ENTRE NÓS, ÉPOCA EM QUE ERA MEIO HIPPIE - USAVA UMA BOLSA GRANDE EUMA ARGOLA SÓ NA ORELHA E FORA O MONTE DE PULSEIRA DE LATÃO NO BRAÇO RSSSSSSSS. TINHA UMA COISA QUE ODIAVA ERA ACORDAR CEDO NO DOMINGO PARA IR À MISSA,PRINCIPALMENTE POR QUE SABIA QUE MEU PAI IRIA PARA PRAIA COM MEU IRMÃO JOGAR O BABA E NÃO IRIA ME ESPERAR.
DEPOIS DE UM TEMPO, ELE LIBEROU AS TRÊS PARA IRMOS À PRAIA SOZINHAS,NESSA EPOCA ENTROU UMA PRIMA TBM (RSSSSSSSS) ERA O DINHEIRO PARA O TRANSPORTE, PARA O PICOLÉ, AI ERA FÁCIL ERA SO PEDIR CARONA(RSSSSSS) ERA UMA FARRA NESSA EPOCA PODIA-SE PEDIR CARONA SEM MEDO.
O TEMPO PASSOU, MINHA IRMÃ FOI TRABALHAR, A OUTRA CASOU POR ESTAR GRAVIDA,TEVE A PRIMEIRA FILHA QUE FOI UM GRANDE PRESENTE PARA MINHA FAMILIA.
MINHA SOBRINHA ERA UMA FOFOLETE DE LINDA, MORENA,ROSINHA E CABELOS PRETOS ARREPIADOS... MEU PAI SAIA COM ELA PARA TODO LADO - PADARIA, MECARDO, BUSCAR MINHA MÃE NO PONTO QUANDO ELA CHEGAVA DO TRABALHO, EU ESTUDAVA PELA MANHA, E A TARDE PARA MINHA IRMÃ TRABALHAR FICAVA COM MEU MIMO.
O TEMPO RODOU NOVAMENTE MINHA IRMÃ SEPAROU CASOU NOVAMENTE,FICOU GRAVIDA DA MINHA SEGUNDA SOBRINHA ELA ERA BRANCA QUE NEM LEITE COM CABELOS LOIRINHOS...NESSA EPOCA JÁ TRABALHAVA , MAS DAVA PARA CURTIR ELA TAMBÉM.
OUTRO SOBRINHO SO QUE DESSA VEZ MEU PAI NÃO PODE CURTIR O PRIMEIRO NETO HOMEM ,ELE MORREU 5 MESES ANTES DELE NASCER.
COM A MORTE DO MEU PAI, EU MORRI PELA TERCEIRA VEZ!!!!

MUSICA 4 - REQUIEM

(Liliana retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: “Veja, não diga que a vitoria está perdida. Tenha fé em Deus, tenha fé na vida – tente outra vez”. Raul Seixas. Perdido entre excessos e desorientação, Jailton quase naufragou. Mas sua bussola e leme internos foram mais fortes que o desamor próprio e ele renasceu...

MUSICA 3

Jailton começa a se movimentar vagarosamente atrás da árvore, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

JAILTON: 4ª morte: Bete me abandonou... Eu a maltratei... Não soube cultivar seu amor e amizade e ela partiu deixando uma lacuna imensa em minha vida...

MUSICA 4 - REQUIEM

(Jailton retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: “Há homens que lutam um dia e são bons/ Há outros que lutam um ano e são melhores/ Há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons/ Mas há os que lutam toda vida: esses são os imprescindíveis”. Bertolt Brecht – A luta de Dilza não parou e ela renasce...

MUSICA 6

Dilza começa a se movimentar vagarosamente atrás da concha, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

DILZA: Dos 25 aos 49

Em 2005 o atual prefeito de Camaçari, assumiu a prefeitura. Achei bom, via nisso uma oportunidade de melhorar a minha vida profissional e financeira, afinal acreditava nos amigos que estavam na linha de frente do governo.Bem fui convidada para ser gestora de uma unidade escolar, aceitei e me entreguei de corpo e alma ao trabalho, agi muito com o coração, colocava sempre a comunidade em primeiro lugar, não percebia a armadilha que estavam armando para mim, pessoas que eu mais ajudei nos momentos em que estavam com dificuldades, fui parceira.

Num belo dia recebo um convite para ir ate o gabinete da sub-secretária, era para receber minha carta de demissão do cargo, sem nenhum aviso prévio ou justificativa, simplesmente não me queriam mais na direção da escola. Procurei chão e não achei,até hoje ainda venho trabalhando a dor que senti e não conseguir ainda ultrapassar.Fiquei mal, entrei em depressão, mas conseguir reagir.Mas ainda me incomoda muito.Sinto raiva, ódio, ressentimento e as vezes me pego pensando assim elas e eles irão ainda experimentar a dor que passei, pois entrego tudo ao tempo que é o senhor de tudo.Isso ainda esta vivo em mim, mas vou me libertar, quando aceitar o que aconteceu.

MUSICA 4 - REQUIEM

(Dilza retorna devagar ao local onde nasceu).

MÚSICA 2

LENA: Vida é perda e ganho. Segundo Clarice, “Viver ultrapassa qualquer entendimento”. Aruanda diz que “Viver é ridículo”. Gonzaguinha canta que a vida é “sempre desejada, por mais que seja errada”. Guilherme Arantes enlouquece e fecha todas as possibilidades de covardia e desistência quando afirma que “mesmo sem querer” temos “uma insuportável vontade de viver”. Seja como for, diante de todos os percalços e loucuras da vida, Liliana renasceu...

MUSICA 7

Liliana começa a se movimentar vagarosamente atrás da rocha, fazendo sua coreografia pessoal do nascimento. Chega ao centro do palco...

LILIANA: IDADE 25 A 40

FOI UMA ÉPOCA DIFICIL NA MINHA VIDA.CURTIA MEUS SOBRINHOS QUE AGORA JÁ ERAM 5 MAIS OS AGREGADOS,ERA TRABALHO E ILHA DE ITAPARICA NOS FERIADOS E FINAIS DE SEMANA COM ELES, CORRE, PEGA O FARRY, CONTA AS CABEÇAS PRA VER SE NÃ TAVA FALTANDO NINGUÉM, FORA AS SACOLAS COM TUDO QUE SE PODIA LEVAR, (RSSSSSS)ACORDA, COLOCA CAFÉ, TIRA MESA,VAI PRA PRAIA, VOLTA COLOCA ALMOÇO VOLTA PRA PRAIA AGORA PARA PESCAR SIRI E CHUMBINHO VOLTA COLOCAR TUDO PARA CONZINHAR uFAAAAAAAA MAIS ERA UMA DIVERSÃO.
O TEMPO RODOU COM SEMPRE,ELES FORAM MORAR EM OUTRA CIDADE E FICAMOS UM BOM TEMPO SEPARADOS.
QUANDO VI, ELES JÁ NÃO ERA MAIS CRIANÇAS E MINHA VIDA FICOU PRA TRÁS.PRECISAVA ME SUSTENTAR, TERMINEI MEU 2º GRAU E NÃO CONSEGUI PASSAR NO VESTIBULAR, AI FUI DEIXANDO PRA TRÁS O SONHO DE FAZER UM FACULDADE.
EM FUNÇÃO DISSO CONSIDERO MINHA VIDA PROFISSIONAL DEFICIENTE, POIS GOSTO DO QUE É BOM E CARO, E SO GANHO PARA SOBREVIVER.
AH!!! UM CASAMENTO COMO EU QUERIA UM PRINCIPE ENCANTADO, ENCONTREI ACREDITE SO QUE ELE ERA UM GRANDE SAPO, TENTEI VARIAS VEZES E QUANTAS DORES E DECEPÇÕES
AI SINTO QUE MORRI PELA QUARTA VEZ..

MAS A HISTORIA AINDA NÃO TERMINOU VIU !!!!!!! RSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

MUSICA 4 - REQUIEM

(Liliana retorna devagar ao local onde nasceu).

MUSICA 8 - REACH

LENA: O entrelaçamento das forças cósmicas é a base de nossas vidas.

JAILTON: Com exatidão ele dirige a palpitação do planeta. (sai da árvore e vai p/o centro).

JANAINA: Ele regula e proporciona as radiações solares. (sai da fonte e vai p/o centro).

DILZA: Ele guia as correntes aéreas, regula as sínteses e troca das substancias protéicas e assimilação nos organismos. (sai da concha e vai p/o centro).

LILIANA: Ele guia o crescimento, a respiração, a circulação, a reprodução, os nascimentos, as mortes e todos os fenômenos sociais. (sai da rocha e vai p/o centro).

LENA: A nós foi deixado o esforço e o trabalho de nossa evolução. Repitam comigo (para o grupo): O ENTRELAÇAMENTO DAS FORÇAS/ SABE POR SI MESMO/ E MELHOR DO QUE NÓS/O CAMINHO QUE DEVEMOS SEGUIR/ E É POR ISSO QUE TROUXE ATÉ AQUI...

JAILTON: X, Y, outros Iniciados Maiores e você, Jana.

JANA: Também trouxe X, Y, outros membros do sétimo grau e você, Dilza.

DILZA: Tem também X,Y, outros integrantes do sexto grau e você, Liliana.

LILIANA: Trouxe também X, Y outras pessoas do quarto grau e você, Lena.

LENA: Tem ainda X,Y, outros iniciados do terceiro grau e você, Jailton.

JAILTON: Beleza, ainda tem X,Y e outros componentes do segundo grau.

JANA: X, Y e demais confrades do primeiro grau A.

DILZA: X, Y e outros irmãos do primeiro grau B.

LILIANA: X, Y e a galera da EFI.

LENA: Continuem repetindo comigo (para o grupo) PARA JUNTOS SENTIRMOS A EXPLOSÃO/ A PALPITAÇÃO/ E A VIBRAÇÃO SEM REPOUSO/ EM BUSCA DO EQUILIBRIO.

(debate).

fim

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