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sexta-feira, 9 de julho de 2010

SINCRONICIDADES

No dia 05 de junho de 2010, vivi uma das experiências mais fantásticas da minha vida...

Eu usava uma camisa branca que continha a seguinte mensagem na frente: Salve, Jorge! Atrás havia uma imagem de São Jorge.

Estava numa van, em Salvador, esperando a lotação se completar para regressar à minha casa, eram 17h45. Um ônibus da Linha Verde parou no local, naquele momento. Como eu sabia que o veiculo em que eu estava ainda demoraria de sair, no ímpeto, deixei-o e passei para o outro. Ele estava com poucas pessoas. Ocupei uma das poltronas que ficam no meio da condução, junto à janela, do lado direito.

No momento em que entramos na Paralela, tive um mau pressentimento: vi dois homens entrarem armados, cada um com um 38. Seria um assalto. Eles nos ameaçariam, nos intimidariam e levariam nossos pertences, valores, etc.

A angústia foi crescendo porque tudo o que vi foi extremamente real. Súbito, comecei a tirar dinheiro, cartões e documentos da minha carteira que estava na polchete e os transferi para a mochila. Decidi deixar uma nota de R$ 20,00 na carteira e a bolsa de moedas na polchete para que ela tivesse certo peso e iludisse os prováveis ladrões que tomariam o ônibus de assalto. Pensei em saltar e pegar outro, mas sentia que devia ficar mesmo era ali. Estava no lugar certo, na hora certa, acontecesse o que acontecesse.

A sensação de pânico foi crescendo e eu me esforçava para afastar as imagens, fazia visualização positiva, rezava, pedia a proteção dos meus Guias, recitava salmos; tudo porém foi em vão, porque não sentia melhora. A cabeça começou a doer, senti náusea e ouvi uma voz que disse Isso não é com você. A partir daquele momento, comecei a relaxar. O desconforto não desapareceu por completo, mas houve um alivio.

Quando porém o transporte parou num ponto em Arembepe e vi dois homens, um com gorro e o outro manco, dirigindo-se para o seu interior, pensei: É agora! Ambos subiram e o manco me olhou. Ambos começaram a vir para o meio do corredor. O de gorro sentou-se em minha frente e o manco, ao meu lado. Percebi que ele tivera paralisia cerebral:

- O ônibus que eu estava foi assaltado – disse-me o homem e eu me surpreendi.

- Onde?! – Perguntei.

- Em Lauro de Freitas. Dois homens armados, cada um com um 38, entraram e fizeram o serviço – respondeu entortando a boca.

- Roubaram você?

- Só me levaram R$ 20,00 – ele sorriu – o resto eu coloquei em minha bolsa e a mantive escondida. Eles não viram.

Pensei na minha mochila ocultada pelas minhas pernas com tudo o que eu havia transferido para ela. Pensei na nota de R$ 20,00 em minha carteira, pensei em tudo o que havia sentido e no fato insólito de aquele homem estar sentado ao meu lado me contando tudo o que captei estando num lugar bem distinto do dele, sem jamais tê-lo visto, sem saber nada sobre ele.

Contou-me trabalhar com computação. Teve paralisia cerebral de nascença, mas só rolaram complicações físicas. Seu cérebro permaneceu intacto. Passou em oitavo lugar no vestibular do ITA em São Paulo, viveu uma vida difícil pelas limitações e preconceitos, mas percebi que estava diante de um gênio, de um guerreiro que superou diversos obstáculos, era apaixonado pela vida, pelo trabalho, pela esposa, pelos pais e adorava tomar sua cervejinha no final de semana e uma taça de vinho no almoço. De tudo o que ele me falou, o que transcrevo a seguir foi o que mais me marcou: “Vejo muitos jovens bonitos e aparentemente perfeitos revoltados com a vida. Eu tenho 49 anos. Quando falo de minha vida, não quero despertar a piedade das pessoas, mas mostrar que podemos ser felizes, ainda que não correspondamos a um padrão de normalidade”.

Chegando a Guarajuba, meu companheiro de viagem – geográfica e holográfica – despediu-se de mim. Estendeu-me a mão e falou:

- Meu nome é Jorge, foi um prazer – outra coincidência!

- O meu é Antonio. Obrigado por tudo.

Ele sorriu e se foi, mancando.

Aliviado e maravilhado, me dei conta do fato de estarmos todos conectados e não é necessário conhecimento ou intimidade para que qualquer tipo de energia, idéia, sentimento, sensação ou mensagem seja transmitido. Talvez eu nunca mais veja aquele homem, mas sei que por alguns momentos nossos sentimentos, pensamentos e impressões foram os mesmos. Houve uma conexão entre nós, uma ponte, e a coisa foi tão profunda que tínhamos que nos encontrar no meio da estrada para que ele viesse se sentar exatamente ao meu lado e me confirmar ter acontecido tudo o que vivenciei, só que na realidade tridimensional, foi ele quem passou pela experiência.

A Rede Cósmica existe e o que se considera coincidência nada mais é que sincronicidade. Estamos todos completamente conectados, mesmo que tentemos fugir disso em alguns momentos sombrios. O que acontece no Universo é de responsabilidade de todos nós, desde as coisas mais hediondas às mais belas.

Somos Um.

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