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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fim de Caso - 1


Afonso e Heitor estão deitados na cama e discutindo a relação mais uma vez. Chegaram a um ponto em que seus motivos de divergência superam as afinidades e ambos se vêem no limite de uma história que dura há cinco anos:

- Tenho notado que você ultimamente tem feito muitas coisas sozinho – comenta Afonso.

- Eu tenho uma individualidade.

- Mas somos um casal. Pelo que me consta faz parte do nosso contrato afetivo nos diluirmos um no outro enquanto estivermos juntos. Tornarmo-nos um – ele pega a mão do companheiro e a beija – Às vezes eu tenho a impressão de que você não me ama mais.

- Eu amo você. O problema é que você é tão intenso, que muitas vezes eu preciso estar só para me lembrar de quem eu realmente sou e não daquele que você quer que eu sempre seja.

- Não acredito que estou ouvindo isso. Você tem noção do que está dizendo sobre mim?

- Tenho noção do que eu sinto e é sobre isso que estou falando. Lá vem você com a velha mania de se vitimar em plena discussão. Tem sido insuportável conversar com você. Será que você não pode, pelo menos uma vez na vida, sair da defensiva, encarar com maturidade uma opinião que eu emito a seu respeito e conversar serenamente sobre isso?

- Aonde você está querendo chegar, Heitor?

- Que você tem um baita complexo de perfeição que embota sua percepção dos seus defeitos, principalmente quando outrem os mostra para que você pelo menos os examine e veja se quer ou não corrigi-los.

- Está bem. Vamos voltar ao foco do seu sentimento: o que eu percebo é o seguinte: você me acusa de ditar seu comportamento. Eu sinceramente não me vejo fazendo isso, mas se é assim que se sente, por que só agora, depois de todos esses anos é que vem me falar sobre isso? E tem mais, se você se sentia dominado por mim e cedia a esse domínio, fazia porque queria. Eu nunca o obriguei a nada, meu querido. É muito fácil você se deixar manipular e vestir a capa de cordeiro apontando o outro como único responsável pelo processo.

- Reconheço minha responsabilidade. Eu deveria ter reagido antes.

- E por que só agora? Tenho medo de te perder – Afonso o abraça e o beija.

- Eu não quero me separar de você, mas precisamos fazer um ajuste na relação para que possamos continuar em harmonia e em felicidade.

- O que você quer que eu faça?

- Deixe-me respirar.

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