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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sete Ciganos - 8

Quarta-feira

Joventino acorda bem. Eulália lhe entrega o saco. Ele o abre, pega o talismã, olha-o encantado, olha para a mulher emocionado:

- É ela, Jove. Finalmente. Sofia deixou o talismã – diz Eulália.

Ele abre um sorriso de vitória e põe o objeto de poder no pescoço.

Quando o casal está saindo da enfermaria, é abordado pela freira:

- Bom dia, Seu Joventino! Bom dia, Dona Eulália!

- Bom dia, Irmã Vera! – Ambos respondem.

- Como vai, Seu Joventino?

- Estou curado, Irmã!

- Posso lhes fazer uma pergunta?

- Sim – respondem.

- Quem é aquela cigana que esteve aqui ontem?

- Sofia – responde Eulália.

- Vocês a conhecem de onde?

- Da feira – diz Joventino.

- Vocês tenham cuidado! “Quem com porcos anda, farelos come.”

- O Evangelho recomenda que não julguemos para não sermos julgados, Irmã Vera – retruca Eulália. – Melhor cuidar de sua vida. Passe bem!

O casal se retira e a religiosa bufa raivosa.

Após deixar o marido em casa com um parente, Eulália vai ao hotel procurar Sofia.

Quando as duas se encontram, abraçam-se como se conhecessem há muito tempo:

- Vim lhe agradecer pelo que fez por Jove, acertar algumas coisas e convida-la para almoçar conosco.

- Quando elejo alguém como meu amigo, é um prazer ajudar, Dona Eulália. Fizeram um feitiço contra seu esposo a fim de destruí-lo.

- Quem?

- Ainda não sei – mente a Cigana – mas isso é o que pouco importa. Vale saber que ele está bem e fora do perigo. Antes de qualquer coisa, porém, sei que tem algo a me dizer sobre minha vida. Do que se trata?

- Tenha só mais um pouquinho de paciência. Joventino me mata se eu lhe contar e voltando a falar sobre feitiçaria, não gosto de lidar com isso, mas minha mãe foi mãe-de-santo e até os meus 18 anos convivi com essas práticas. Sonhei que você estava com Alguém numa Encruzilhada negociando na noite passada. O que tem a me dizer sobre isso?

- Aconteceu, de fato, Dona Eulália.

- Então eu vim aqui para providenciarmos o pagamento. O assunto é do meu interesse.

- Tudo bem. É justo.

Ambas saem para arranjar os itens que comporão o Ebó.

Passando pelo mercado, Sofia revê Margarida. Ela trabalha como caixa.

A cigana vai cumprimentá-la e é recebida por ela com alegria. Sofia nota que ela deu um corte no cabelo e está usando batom. Está mais bonita e alegre.

- Menina, como está linda!

- Cigana – cochicha Margarida – Aquele perfume é mágico. De repente comecei a perceber que não preciso ter alguém para me arrumar. Devo ficar bela para mim mesma. Estou me sentindo muito bem e minhas amigas que jogaram com você, gostaram muito!

- A magia do perfume não é nada sem sua intenção, Margarida. Fico feliz com as mudanças que você está operando. Essa é minha amiga, Dona Eulália. Vocês se conhecem?

- Só de vista – responde Eulália.

- Dona Eulália, essa é Margarida.

Ambas se saúdam.

- Agora precisamos ir, Margarida. Temos uns assuntos a resolver. Apareça.

- Depois quero marcar com você para a gente conversar.

- Está bem.

Eulália e Sofia seguem seu caminho.

Comentários negativos e positivos chovem sobre esse encontro no mercado.




6 comentários:

  1. Eu estava certa sobre a freira. Vai causar problemas a Sofia.

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  2. Mas ela saberá como resolver. Não se preocupe...

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  3. Muito astuta esta cigana né! Veja q ela tem muito interesse em saber da vida própria, mas nao deixa que isso influencie em seu trabalho espiritual...

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  4. Sofia é uma figura muito íntegra. Eu a admiro muito. Beijo, Cátia.

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  5. Em relação não só a o perfume mas a qualquer artefato mágico, tudo se transforma, acontece a magia quando estamos abertos para isso ou seja para as mudanças, aprendi muito neste capítulo, é muito importante para a auto estima do bruxo, mago, pai de santo ou seja lá o que for... A credibilidade, a fé, tudo isso é recompensado não pelos outros mas sim por nós mesmos.

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  6. Sabe o que me encanta em você, Mel? Quando estou escrevendo,a coisa vem tão louca, que nem sempre me atenho à mensagem subliminar que estou passando. Você e Cátia me fazem ver o que não vi. É fantástico isso!

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