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sábado, 20 de novembro de 2010

Sete Ciganos - 6

Sofia retorna ao hotel, entra no quarto, pega a bola de cristal e o suporte da mesma na bagagem. Prepara a mesa com uma vela branca acesa, incenso e a taça com água. Evoca seus Guias e concentra-se:

- Que está acontecendo com o Sr. Joventino? Por que estou nessa angústia? Mostrem-me!

Mirando o centro da bola, ela vê o amigo deitado e uma sombra sobre ele minando-lhe as forças. Concluída a visão, ela começa a meditar sobre que providências tomar a fim de ajudar o velho. Decide confeccionar um talismã.

14h01.

A cigana chega ao hospital e chama a atenção. Usa um belo vestido azul com fitas vermelhas e dirige-se à enfermaria. Ao entrar lá, seus olhos se encontram com os de uma velha negra que sorri ao vê-la. Ela lhe retribui o sorriso e encaminha-se até o leito ao lado do qual a senhora está e encontra Joventino acamado, depauperado e adormecido.

- Boa tarde! – Ela cumprimenta a velha – Eu sou Sofia.

- Eu sei, cigana. Eu sou Eulália e é um prazer conhecê-la. Jove me falou muito bem de você.

Por que será que ele anda falando sobre mim para seus familiares?

- Estive com Orlando na barraca e ele me avisou que Seu Joventino está doente. Os médicos já diagnosticaram alguma coisa?

- Dizem que é uma virose.

- O que a senhora acha?

- Que não é isso, mas como posso me medir com os doutores?

- Para mim a senhora é mais doutora do que eles. Dona Eulália, não sei como é isso para a senhora, mas seu marido não tem problema fisiológico algum. Ele está com um encosto minando-lhe as forças.

- Como sabe, cigana?

- Eu vi – Sofia percebe um riso na velha, mas não é de desconfiança; parece de confirmação de alguma coisa.

- Que podemos fazer?

- Deixe comigo.

Sofia impõe as mãos sobre Joventino e ele tem um leve tremor:

- Pense numa luz muito forte sobre ele, Dona Eulália.

Uma freira, à distância, observa indignada o procedimento da cigana.

Eulália se concentra e minutos após, Sofia conclui o trabalho.

Depois entrega à esposa do amigo um saquinho:

- Dona Eulália, dentro desse saco tem um talismã poderoso que preparei para seu marido. Ele é feito com uma pedra chamada Ônix e protege quem o usa das influências sombrias. Só Seu Joventino poderá tocar e colocá-lo no pescoço.

- Louvado seja Deus! É você?!

- Como?!

- Nada, minha filha. Depois Jove lhe conta.

- Tudo bem.

- E quanto ao encosto?

- Hoje vou resolver isso. Não se preocupe.

- Eu confio em você.

- Obrigada, Dona Eulália. Amanhã seu esposo estará bem e receberá alta.

Despedem-se e a cigana sai.

A velha se emociona apertando o saco que contém o talismã.

A freira permanece com cara de poucos amigos.


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