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domingo, 21 de novembro de 2010

Sete Ciganos - 7


Saindo do hospital, Sofia compra algumas coisas e retorna para o hotel.

Lá faz alguns preparativos e ainda joga cartas para duas amigas de Margarida. Sua fama começa a se espalhar pela cidade. Na Praça da Bandeira, na Rua Góes Calmon, na Senador Galvão e na J.J. Seabra não se fala outra coisa.

Na feira, nos bares, nos mercados, nas farmácias, escolas, repartições e demais ambientes. Centenas de conjecturas são feitas acerca da cigana misteriosa que chegara naquele lugar do Recôncavo Sul.

Às 23h30, levando uma sacola, Sofia deixa o hotel e sai para a noite. Dirige-se a uma encruzilhada afastada da cidade.

Faltando cinco minutos para a meia-noite, ela chega ao destino. Tira da sacola um alguidar com uma posta de carne e farofa de azeite, três pacotes de velas, uma garrafa de cachaça, um maço de cigarros e uma caixa de fósforos.

Risca um ponto no chão e evoca a força de Exu. Põe a oferenda sobre o ponto riscado e acende em volta dela sete velas pretas, sete vermelhas e sete amarelas, formando um triângulo. Abre a garrafa e derrama um pouco de aguardente no chão. Abre o maço e acende sete cigarros, deixando-os apoiados no chão pelo filtro.

Sente uma presença forte.

- Laroiê! – Diz a cigana.

- Boa noite, Comadre!

Um vulto se forma em frente dela.

- Boa noite, Compadre!

- A que devo a honra desse encontro e desse banquete?

- Vim para negociar.

- Como é direta! Pois fale, Cigana.

- Vim porque o Senhor está atrapalhando um amigo meu.

- Ah! O Joventino...

- Ele mesmo. Vim aqui para fazer um bom negócio e pedir humildemente que se afaste dele.

- Ardilosa, você não me engana com sua modéstia.

- Não é minha intenção enganar-lhe, Senhor. Por que persegue o velho?

- Ofereceram-me uma farra para que eu o arruinasse.

- Quem?

- O barraqueiro que fica em frente a ele.

- Por quê?

- Inveja, ciúme, ódio... O homem não vende tão bem quanto seu amigo e aí quer liquidá-lo – o Compadre gargalha.

- O que ele deu ao Senhor?

Ele sussurra algumas coisas no ouvido de Sofia.

- Eu dobro.

- Negociar com a Comadre é muito bom. Além de a Comadre desejar que eu pare de perturbar o amigo, quer que eu mande o feitiço de volta?

- Não.

- Quanta generosidade!

- Não é o feirante que eu poupo. É a mim mesma.

- Tudo bem, Cigana.

- Amanhã, na virada do dia, venho fazer meu pagamento.

- Eu sou pontual.

- Eu também. Não encoste mais em Seu Joventino nem na família dele. Fechei o corpo do meu amigo, portanto é gente minha e quem ousar se meter com ele, vai estar se metendo comigo e o Senhor sabe que não aliso.

- Sei sim, Raposa.

- Diga isso também para seus amigos. Eu estou na área.

- Certo, Rainha da Noite.

- Laroiê!

Sofia se despede, saúda as quatro direções e deixa a encruzilhada de costas, mirando a Entidade a se deliciar com o néctar de sua oferenda.

Quando se vira para retornar ao hotel, ouve um ponto cantado pelo Compadre:

“Ela conhece os segredos da noite”.

Como a Lua Negra, é bela

Seu poder é de mel e de açoite

Tão misteriosa é ela.”

Ela sorri agradecida e segue o seu caminho. Sofia é íntima do “Povo da Rua”.

7 comentários:

  1. Lindo, sedutor e encantador....

    Quero mais!

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  2. Terá mais, Jana. Beijo e valeu. Divirta-se...

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  3. Conheço essa foto... Aruanda, você me surpreende a cada capítulo! É muito doido! Mistura Magia Cigana com outras magias e não se perde. Essa história merece ser transformada em filme, novela, livro, tudo.

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  4. lindo, encantador no sentido literal da palavra..

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  5. Ei ! socorro! eu nao consigo encontrar os capitulos na sequencia, me manda uma orientação, por favor! meu e-mail: catiabosso@hotmail.com, grata!

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  6. Sofia, um nome tão meigo mas por trás desses véus com certeza um conhecimento de um passado bem distante, só assim pra ser respeitada por um Exu tão poderoso...Qual será o mistério de Sofia? Ah!!! Eu adoro as gargalhadas emitidas pelos Exus...rsrsrsrsrsrsrsrs ou seja: HAHAHAHAHAHAHAHAHAAHHA!!! LaroYê!!!

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  7. Coincidência,filho! Eu também... (risos).

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