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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sete Ciganos - 20


Chegam à Fazenda Colibri e Sofia se encanta com o lugar.
Estacionam o carro e saltam. Shalom lhe mostra o hotel, o salão de convenções, o lago, a piscina, o parque infantil, os cavalos e depois vão para o restaurante:
- Aqui é muito bonito! – Exclama Sofia.
- Sabia que ia gostar.
No momento, um garçom chega com os cardápios:
- Boa tarde!
- Boa tarde! – os ciganos respondem.
Ele lhes entrega os cardápios.
- Algo para beber?
- Cerveja – responde Sofia.
- O mesmo para mim.
- O.k. senhores. Com licença – o garçom se retira.
- Muito bem, Sofia. Aqui estamos nós. Qual o outro motivo de você estar aqui?
Ela respira fundo. O garçom traz uma garrafa de cerveja e dois copos, serve aos clientes e pergunta-lhes se já escolheram:
- Para você, um filé com fritas é bom, Sofia?
- Perfeito.
- Filé com fritas – diz o cigano ao garçom.
- É pra já – ele sai.
O casal brinda:
- Na sua juventude você andou pelas bandas de Santa Inês?
Shalom empalidece:
- Sim.
- Viveu um grande amor com uma gajona e fugiu com ela porque ela estava prometida a outro, casou com ela e tiveram um filho?
- Como sabe de tudo isso? – Pergunta constrangido bebendo nervoso.
- Responda minhas perguntas.
- Sim.
- Sua amada não aguentou a vida no bando e o estilo nômade e voltou para casa...
- Sim. E depois disso nunca mais a vi e resolvi esquecê-la e ao meu filho.
- Como se chamava seu filho?
- Gilberto.
- E se eu disser que o conheci em Brejões?
- Como sabe de tudo isso?
- Ele mesmo me contou essa história. Depois que Laura voltou para casa, casou com um primo e foi embora para Salvador, levando seu filho. Depois tiveram mais duas filhas, mudaram para o Rio, mas aconteceu um acidente e o casal morreu.
- Laura morreu?! – Surpreende-se.
- Gilberto ainda era criança. As irmãs dele ficaram com os avós de Salvador, mas ele quis voltar para Santa Inês e ser criado pelos avós maternos.
- Aonde você quer chegar?
- Gilberto hoje, homem feito, é vigário da paróquia de Brejões e eu fiz um pacto com ele de levar o pai se eu o encontrasse, para que vocês se conheçam e enfim se entendam.
- Não acredito!... Depois de tanto tempo... De vez em quando eu pensava no meu filho, mas decidi fingir que o havia esquecido. Nunca imaginei que o veria de novo. É inacreditável!
- Pode acreditar. Quer ir conhecer seu filho. Shalom Carín?
- Quero... Ele quer me conhecer?
- Quer.
- Quando iremos a Brejões?
- Calma, mulher! Você é muito rápida. Tenho coisas a resolver por aqui.
- Homem de Deus, quanto tempo faz que não vê o seu filho? Não viu o menino crescer, criar espinhas, engrossar voz, fazer estripulia... Não o acompanhou nas vitórias e fracassos na escola e na vida. Não o viu tornar-se padre... Se eu estivesse em seu lugar, Shalom, ia querer ver esse menino ontem.
- Você não sabe o quanto eu sofri quando a mãe dele me deixou. Tenho medo desse reencontro.
- Cigano, aquele ciganinho lá que veste batina morre de vontade de te conhecer. O passado já foi. Vamos conhecer seu filho!
Ele pensa alguns instantes em silêncio. Enxuga os olhos e encara a cigana:
- Amanhã.
- Amanhã.
Brindam com os copos e sorriem.
- Santa Sara, nunca pensei que ia ter um filho padre!
- Se bem que Gilberto não é um padre convencional.
- Como assim?
- Seu filho tem sangue cigano e pelo que me consta, a mãe era uma figura maravilhosamente amoral.
- E como era... – Shalom pensa com saudade e ri. – Você e Gilberto?...
- Sim. Tivemos um breve envolvimento.
Shalom internamente lamenta a notícia, pois já havia começado a se apaixonar por Sofia, mas como imagina que ela ainda esteja envolvida com o seu filho, não quer se meter entre os dois. Afinal, tem várias mulheres. Uma só não faz falta.

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