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quinta-feira, 3 de março de 2011

Sete Ciganos - 48



Amanhece, Márcio passa a mão ao lado da cama e o percebe vazio. Acorda e vê uma rosa vermelha e um bilhete que diz:
“Ainda que tenha sido apenas uma noite e esta seja provavelmente a primeira e a única das nossas vidas, sempre te levarei em meu coração, aonde quer que eu vá. Obrigado por existir.
Com carinho,
Gilberto.”
O bruxo olha pela janela e sorri cheio de alegria:
- Vai, meu cigano bonito! Que Bel-Karrano e Santa Sara ilumine seu caminhar.
Ao longe, Gilberto dirige seu carro contente e seguro do que quer.
Na cama, Shalom, abraçado com Sofia diz:
- Admiro muito meu filho. É um homem livre e intenso.
- Como você.
- Não, Sofia. Ele é mais. Preciso me despedir dele...
- É tarde, Shalom. Gilberto partiu cedo.
- Você o viu?
- Ouvi a porta bater e quando cheguei à janela, ele estava partindo.
- Falou com ele?
- Não. Deixei-o ir. Acho que ele falará conosco antes de seguir para o Peru.
- Tomara.
- Eu amo muito Gilberto.
- Eu também e nosso amigo Márcio vai sentir falta do muchacho.
- Quem conhece Gilberto jamais o esquecerá.
O velho vento sopra mensageiro e os ciganos captam a mensagem.
No mesmo dia, enquanto todos estão almoçando, Pedro diz:
- Hoje é dia de partida. Nós vamos levantar acampamento à tardinha, Márcio.
- Será que vou suportar? Primeiro, vai Gilberto. Agora, vocês. Já estou começando a me arrepender de ter-me tornado um cara legal – brinca o mago.
- Por quê? – Pergunta Sofia.
- Porque virei sentimental e estou me apegando às pessoas que amo, mas sei que todos somos livres e devemos seguir nosso destino. Foi muito bom termos nos encontrado, Mestre Pedro. Shalom, foi um prazer ser seu genro por uma noite.
- O prazer também é meu – fala Shalom forçando comicamente um tom formal.
- Sofia – continua Márcio – Se eu fosse mulher, queria ser como você.
- Bobagem, feiticeiro! Você tem uma beleza tão andrógina que não deve querer imitar ninguém.
Adriane e Morgan vão trabalhar e se despedem dos ciganos.
Chega a hora da partida. Os Filhos de Sara Kali arrumam tudo em seus respectivos carros. Márcio dá a cada um, um presente. Quando Shalom abre o seu, é um punhal de ouro. Ele agradece ao amigo com um caloroso abraço. Sofia ganha uma linda volta de ouro com lápis-lazúli e se encanta com o mimo, abraçando e beijando o feiticeiro.
- O que será que esse bruxo de merda reservou para mim? – Debocha Pedro, causando risos nos outros.
- Uma maldição para o resto de suas encarnações, cigano de araque – responde Márcio, arrancando mais risos.
Pedro abre o presente e se maravilha ao ver o lindo anel de ouro com uma ametista:
- Como sabe que esta é minha pedra?! – Pergunta Pedro.
- Somos um, cigano.
Ambos se abraçam e se emocionam. Márcio soluça e se separa bruscamente do amigo:
- Vai logo, peste, se não você me mata. Vai logo que odeio despedidas.
Pedro beija a testa do moço e segura sua face, olhando-o nos olhos:
- Onde quer que estejamos...
- Estaremos um com o outro.
- Isso, meu jovem, e lembre-se do seu compromisso.
- Não se preocupe.
Os ciganos se despedem de Suelen, entram em seus carros e se vão. Márcio e a amiga acenam para eles até sumirem na curva mais próxima.
Passam na casa de Olga e se despedem dela e Timóteo:
- Muito obrigada por tudo, Mestre Pedro – fala Olga beijando a mão do velho – Você é um Iluminado. Aliás, vocês são iluminados e quando virem Gilberto ou falarem com ele, digam-lhe que lhe desejo muita sorte e felicidade.
- Nós é que lhe agradecemos pela oportunidade que nos deu de vivermos experiências tão interessantes – fala Pedro, beijando a amiga.
- Nós somos muito gratos a vocês, ciganos – diz Timóteo, pondo um envelope no bolso da camisa de Shalom.
- É muito bom ter amigos como vocês – externa Sofia.
- Qualquer dia, a gente se encontra – fala Shalom.
Após abraços e beijos, os três se vão e quando passam num posto de gasolina para abastecer o veiculo, Shalom tira o envelope do bolso e o abre. Há uma generosa quantia de dinheiro e um bilhete com os seguintes dizeres:
“Ciganos, nenhum dinheiro no mundo poderá compensar sua amizade, mas poderá ajudar-lhes com algumas despesas ao longo da viagem.
Nós lhes somos eternamente gratos,
Timóteo e Olga.”.
Shalom sorri, abraça e beija a esposa, faz o mesmo com o velho e pegam a estrada.

2 comentários:

  1. Mais uma vez, o vento...
    Acho massa você destacar a energia monetária na manutenção da vida dos nossos irmãos. Dinheiro é energia, eles estão encarnadíssimos, logo, precisam do "real". Beijo!

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  2. "Eu amo o dinheiro e o dinheiro me ama" - Mantra da Prosperidade e na minha opinião, mais uma forma de limparmos nossa relação com a energia monetária.

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