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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bin Laden deu o zig




Quero deixar bem claro que nunca aplaudi nem aplaudo o terrorismo. Para mim não foi motivo de júbilo o atentado de 11 de setembro às Torres Gêmeas, à nação norte-americana, às vítimas, ao mundo. Penso, porém, que cabe uma reflexão sobre o mal que habitava em Osama, o mal que habita em mim, o que habita em você, o que habita em todos nós. É patético ver seres humanos na Terra comemorando o assassinato brutal de Osama Bin Laden. Vingança! Justiça! Paga-se o extermínio com extermínio e tudo fica bem – brindemos, comamos, troquemos dedadas e o bem mais uma vez venceu... UMA OVA!

Osama está morto. Nossa sede de sangue, saciada, e lamento desapontar aqueles que creem jamais teremos uma chacina terrorista novamente. Logicamente teremos porque o mal ainda existe. Bin Laden apenas canalizou a soma de todos os nossos ódios, rancores, violências, vinganças e toda sorte de maldades coletivas existentes no planeta. Cada pensamento ou sentimento terrível que tivemos montou todo o aparato energético para culminar no crime que abalou o orbe terrestre. É fácil julgarmos, apontarmos o dedão em riste e fazermos cara de gente inimputável diante de um réu. Difícil é a gente ter a coragem de assumir que um delito grave é apenas a ponta de um iceberg construído por todos nós.

O fato de Bin Laden estar morto não nos deixa a salvo de nós mesmos. O mundo será um espaço seguro quando todos nós formos honestos o suficiente no sentido de curarmos nosso psiquismo de tantas dores e traumas que viemos acumulando durante toda a nossa história. Enquanto um resquício de perversão houver num só coração humano, outros Bin Laden, outros Hitler, outros Mussolini, outros Fidel Castro, outros tiranos, terroristas, criminosos, opressores, manipuladores e o cacete surgirão e farão terror.

A maldade humana é uma entidade coletiva. Trata-se de uma serpente encantada. Corte-lhe a cabeça e surgem mais três. Eu, um homem assumidamente rancoroso (ainda), vi o povo celebrando o assassinato do terrorista fanático e sinceramente não enxerguei diferença alguma entre um e outro. Em Osama, nos seus assassinos e em nós que vibramos com seu epílogo trágico há o mesmo espírito violento e devastador. E não nos admiremos com as consequências nefastas que advirão desse jogo hediondo. Algo me diz que não parará por aí.

Conheço minha espécie de longas datas e sei exatamente onde podemos chegar quando nos viciamos na Lei do Talião. Bate até um medo doido, mas aí me lembro de Gandhi quando disse “Olho por olho e um mundo termina cego” e encontro até motivo pra rir porque sei que um dia não precisaremos mais derramar sangue de nosso semelhante ou de qualquer outro ser, a fim de nos iludirmos na doce bobagem de provar pra outrem de quem é o poder.

12 comentários:

  1. A morte(?) de Osama não porá freio em nada. Mil outros surgirão!

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  2. Tempos estranhos, minha amiga... Tempos estranhos...

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  3. Criaram o monstro, se sentiram no direito de destruí-lo.

    O fanatismo religiosos me põe medo, afinal sou herege e apostata. Mas quando um Estado, e um Estado poderoso, se coloca acima da justiça e resolve seus problemas como uma vendeta, quem está a salvo. O que garante que todos não hajam da mesma maneira. Levamos sete mil anos para construir uma civilização, que pode morrer em dez minutos.

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  4. Amei Tony é isso ai!!!!! Sem contar as diversas versões que se tem em torno do 11 de setembro que afirmam, dentre outras coisas, que pode ter sido um jogo político dos EUA para se apropriar do petróleo etc. Estas questões políticas pra mim são sempre misteriosas fico com a impressão de não saber a verdade.

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  5. Rapz... você disse tudo. As pessoas nunca se colocam como causa dos acontecimentos. É muito confortável a posição de vítima. É como se Osama tivesse surgido do ovo da galinha e não fosse consequência do mundo louco que nós construímos. Abraço meu bom!

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  6. E o pior,meu caro Edson, sumiram com o corpo do cara! Nem deram o direito de seus confrades o velarem nem o sepultarem - Isso é abuso! Isso é provocação barata de uma nação ordinária (Estou putíssimo!)Será que realmente construimos uma civilização nesses sete mil anos?

    Lore, o bicho vai pegar e "Boiadeiro" previu isso na Noite Tribal - Lembra?! - A cada dia,irmã, ratifico a crença de que a política mundial (incluindo a brasileira) com está posta é um covil de biltres! Penso que o caos é a salvação mesmo. E que a melhor verdade é a que nós acreditamos em nosso íntimo. Escarro nesses políticos de merda!(Apesar de meu discurso inflamado, não me cego completamente... Sei que há uma minoria que vive a práxis política como deve de fato ser - SERVINDO!)

    Luiz, meu bom, sua paz nesse momento conseguiu conter minha ira indignada. Valeu por estar em minha vida. Saí do aparente eixo em que eu julgava estar centrado.

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  7. Quando falo de civilização não me refiro à superestrutura formal. Mas sim ao conhecimento legado geração a geração. Principalmente aos aspectos éticos e filosóficos de ordem humanista e solidária. não podemos negar que a invenção da república e da política como utopias e a visão humanista do iluminismo que se construiu desde os sábios do passado, é um progresso.

    No entanto, a civilização deles, a América, é a do soldado, a dos territórios conquistados, a esta civilização a única resposta é o caos mesmo.

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  8. Podemos dizer que um grande legado de nossos tempos modernos seja a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que o mundo capitalista neoliberal tem usado como papel higiênico.

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  9. Brilhante,meu caro Edson. É uma honra ter sua presença neste fórum.

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  10. Oi Tony! Adorei seu texto, e concordo que não se combate terror com mais violencia. Mas, colocar Fidel no meio de nomes tão ruins, apesar do lado censurador que Cuba vive, não vamos esquecer o revolução que Fidel promeveu ao lado de Che Guevara!
    Beijo no coração, Saudades, quero te encontrar! Como faço?

    Clarissa Bandeira.

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  11. O que me emputece em Fidel, Bandeirão, é o seguinte: o que ele fez com as mãos, apagou com os pés (Bicho Burro!) - Risos - Respeito e acolho a sua opinião, meu anjo. Quando eu for a SSA, te dou um toque. Saudades...

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  12. Sim, ele parece que esqueceu pelo que lutava! Beijo Tony!

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